O jornal Vida Económica publicou hoje mais um artigo sobre a promoção do empreendedorismo nas instituições de ensino superior politécnicas. 

Para quem não tiver oportunidade de comprar a edição em papel do jornal Vida Económica, reproduzimos aqui na íntegra o conteúdo do artigo assinado pelo Prof. Joaquim Mourato, professor na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Portalegre. 

EMPREENDER – Crescer com as Boas Práticas

 

Prof-Joaquim-Mourato
Prof. Joaquim Mourato – Professor Coordenador na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Instituto Politécnico de Portalegre

O empreendedorismo entrou forte em todas as áreas e territórios. É uma aprendizagem e, antes de mais, uma atitude e um comportamento para toda a vida e que ganhou maior visibilidade com o flagelo do desemprego.

Por isso, apostar na educação do empreendedorismo deve acompanhar todos os níveis de ensino, assumindo, na minha opinião, particular relevância no ensino superior.

Quando me refiro à educação no empreendedorismo não me refiro apenas à competitividade, individual e coletiva, no plano do desenvolvimento económico, mas também no reforço da capacidade de exercício pleno da cidadania. No limite, o empreendedorismo promove uma democracia mais forte e sustentável.

As instituições de ensino superior portuguesas há muito que entenderam a educação no empreendedorismo como fazendo parte da sua missão, definindo estratégias e lançando diversas iniciativas.

Para que as instituições de ensino superior possam responder cabalmente à missão de promoverem a inovação e de contribuírem para o desenvolvimento das comunidades, antes têm que se assumir como instituições empreendedoras, em que o empreendedorismo faça parte da sua matriz e da sua cultura. Pois, como disse Auguste-Marie-Joseph Jean Jaurès “Não se ensina aquilo que se quer; ensina-se e só se pode ensinar aquilo que se é.”

A evolução foi grande e rápida e hoje é fácil identificar inúmeras boas práticas de empreendedorismo desenvolvidas nas instituições de ensino superior.

Poderia, desde logo, mencionar iniciativas que vivi no Instituto Politécnico de Portalegre.

Considero uma boa prática a integração de uma unidade curricular de empreendedorismo em todos os cursos de licenciatura, independentemente da natureza do curso. Tal já foi conseguido e, acredito, que terá resultados visíveis a médio prazo.

A concretização da BioBIP – Bioenergy and Business Incubator of Portalegre está a transformar o Politécnico e a Região. A BioBIP, inaugurada em novembro de 2015, já conta com 18 empresas e projetos alojados, e é constituída por 3 unidades: BioBIP_IN; BioBIP_ENERGIA; e BioBIP_FABLAB.

BioBIP_IN é uma Incubadora de Empresas e de projetos inovadores que possam ser uma mais valia para o Politécnico e para a região onde está inserido. Dá-se preferência a empresas na área da Bioenergia e a projetos de base tecnológica. Não se exclui a possibilidade de se incubar empresas e projetos nas áreas onde assenta a atividade letiva, bem como a alunos que possam ter aqui a alavanca para crescer de uma forma sustentável. A incubação tem ao dispor dos empreendedores um ambiente dinâmico e inovador onde podem usufruir de Gabinetes de Incubação e um Espaço de COWORK bem como de incubação virtual e apoio ao desenvolvimento.

BioBIP_ENERGIA – Este espaço está destinado à investigação na área da bioenergia. Estão disponíveis uma quantidade de equipamentos que a uma escala piloto que se pretende que estejam disponíveis para apoiar empresas na tomada de decisões.

BioBIP_FABLAB, em articulação com um Agrupamento de Escolas, pretende ser um centro de prototipagem onde se pode desenvolver um protótipo de um qualquer equipamento.

Recentemente integrou a MOOVE – Alentejo Incubator Network, rede de incubadoras de base tecnológica do Alentejo que promove e desenvolve o empreendedorismo local e o emprego qualificado, e que procura transformar o perfil da região.

Numa estratégia coletiva de seis incubadoras do Alentejo, a MOOVE procura dar resposta ao empreendedorismo local e ao emprego qualificado, dinamizando e promovendo uma marca própria, que funcione como um ‘selo’ de garantia e qualidade da região

A BioBIP também está registada na Smart Specialization Platform, da Comissão Europeia, entre os onze casos europeus de boas práticas de implementação da Estratégia de Especialização Inteligente no campo da Energia.

Esta estratégia, focada no empreendedorismo, muito deve ao espírito e à cultura promovida pelo Poliempreende, programa de referência de apoio ao empreendedorismo com mais de uma década, que cobre a rede de instituições politécnicas, envolveu já um universo de mais de 100 mil estudantes e que tem como principais resultados a criação de 83 empresas, o registo de 62 patentes e uma taxa de sobrevivência das empresas de 77%.

Sem dúvida que o Poliempreende  e o PIN  – Polientrepreneurship Innovation Network, plataforma inovadora que assenta numa interface digital que oferece uma série de ferramentas facilitadoras dos processos de implementação de negócios, são boas práticas, já reconhecidas nacional e internacionalmente.

São iniciativas como estas que nos garantem que a mudança está a acontecer, que as instituições de ensino superior estão no bom caminho e que devolverão ao país o desenvolvimento de que tanto necessita.