Leia aqui mais um artigo sobre a promoção do empreendedorismo nas instituições de ensino superior politécnicas publicado no jornal Vida Económica, assinado pelo Prof. Doutor Constantino Reis, Presidente do Instituto Politécnico da Guarda. 

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Prof. Doutor Constantino Reis, Presidente do Instituto Politécnico da Guarda

Os Territórios de Baixa Densidade (TBD) são regiões caracterizadas por baixos níveis de rendimento e com baixa oferta de emprego, fraca densidade populacional e com um nível de envelhecimento dessa população elevado. São ainda zonas de elevada emigração e com pouca oferta de infraestruturas e serviços. Neste sentido parece lógico pensarmos que são igualmente territórios de baixos níveis de empreendedorismo e inovação.

Parece, pois que o principal problema dos TBD é a falta de dinamismo, recursos e outras formas económicas, que possam servir de base a propostas inovadoras e empreendedoras. Urge, pois travar este processo regressivo e reanimar os territórios.

Deste modo a promoção do empreendedorismo, inovação e transferência do conhecimento é prática corrente dos Institutos Politécnicos localizados nos TBD, que em conjunto com o trabalho desenvolvido na rede nacional de promoção do empreendedorismo da qual fazem parte dão particular relevo ao fomento desta nova dinâmica e reforcem os esforços nas relações interinstitucionais que têm de ser estabelecidas entre os diferentes agentes dos TBD de modo a que a mudança se concretize.

Em particular, o poder local deve apoiar a inovação e empreendedorismo como uma alternativa fundamental ao desenvolvimento do território, fortalecendo e comunicando as individualidades dos TBD, colaborando assim no processo de facilitação das inter-relações entre os estabelecimentos de ensino superior e empresas, oferecendo mais apoio, infraestruturas e serviços.

Hoje, já começamos a sentir algumas mudanças na atitude e comportamento dos diferentes agentes económicos em termos territoriais. Assiste-se a uma nova dinâmica em que a qualidade de vida nos TBD é superior, tanto em termos de estilo devida mais saudável e sustentável como de acesso a bens tangíveis e intangíveis de suporte dessa qualidade de vida (paisagens diversificadas, redução do stress diário e poluição, etc.).

Por outro lado, as motivações de procuras destes territórios pela população mais jovem também tem sido mais sentida na medida em que procuram espaços onde possam ter maior um estilo de vida pessoal e profissional mais satisfatório e equilibrado, e por vezes, até, com acesso a situações complementares ao seu rendimento familiar (práticas agrícolas de autoconsumo).

É neste contexto que o projeto PIN – Poli Entrepreneurship Innovation Network da rede politécnica pretende contribuir para a aceleração deste processo de dinamização territorial, procurando equilibrar as diferentes acessibilidades a recursos de conhecimento entre as instituições provocando uma partilha desses recursos, e assim proporcionando aos jovens estudantes acesso até agora impossibilitado. Ao reforçar as competências e habilidades empreendedoras e de inovação dos jovens estudantes, em particular nos TBD, dá-lhes a oportunidade de serem criativos, inovadores e criarem alternativas à competitividade empresarial, com base na individualidade e recursos dos seus territórios.

Este projeto, que consiste numa continuação do trabalho de promoção do empreendedorismo da rede politécnica (projeto Poliempreende), sustenta um maior apoio aos empreendedores do território nacional (estudantes e não estudantes) e apela para a localização empresarial dos seus novos negócios às regiões elegíveis no processo de financiamento do projeto, mas também a todos os TBD identificados em Portugal.

O último objetivo deste projeto, quando aplicado aos TBD é fomentar a “Economia de Empreendedores” (“Entrepreneurial Economy”), defendida pela união Europeia, assente nas tecnologias de informação, com uma diferenciação da procura, promovendo os ciclos de vida curtos e “deseconomias” de escala, e a educação da força de trabalho. Esperando que os restantes agentes económicos fomentem o crescimento dos serviços, a desregulamentação dos mercados e uma maior oferta de capital de risco, nos TBD.

Só em conjunto se podem realizar alterações efetivas e dinamizar a economia.