Leia aqui mais um artigo sobre a promoção do empreendedorismo nas instituições de ensino superior politécnicas publicado no jornal Vida Económica, assinado por Pedro Dominguinhos, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). 

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Pedro Dominguinhos, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP)

As instituições de ensino superior (IES) são hoje estimuladas e pressionadas para assumirem atitudes mais empreendedoras na sua atuação, quer junto dos seus estudantes, quer nas práticas de gestão quer ainda no relacionamento com as empresas e demais organizações.

Apesar de nas vinte instituições politécnicas apenas quatro referirem a palavra empreendedorismo nos seus estatutos, as práticas organizacionais têm vindo a alinhar-se com o que podemos denominar de instituições empreendedoras.

É frequente o empreendedorismo ser uma competência específica de Vice-presidentes ou Pró-presidentes e em, pelo menos um caso, do próprio Presidente. Várias instituições possuem gabinetes dedicados à temática da promoção do empreendedorismo, complementadas em vários casos com infra-estruturas de incubação. Esta pró-atividade organizacional tem sido acompanhada de um reforço em termos de científicos e académicos.

Se no início deste milénio assistimos à fase da infância, onde era moda as instituições de ensino superior oferecerem unidades curriculares na área do empreendedorismo, presenciamos atualmente um período de desenvolvimento, integração destas temáticas em vários cursos, de áreas científicas distintas, com existência de mestrados e ainda com diversos projetos transversais em termos de desenvolvimentos de competências empreendedoras, curriculares ou extracurriculares.

Se é verdade que existe uma pressão externa para que se desenvolvam serviços de apoio à inserção profissional e promoção da empregabilidade dos diplomados, indicador utilizado pela tutela e mercado para medir o ‘sucesso’ de um curso superior, não podemos negligenciar a existência, também relevante para uma sociedade mais inovadora, de uma ‘carreira’ empreendedora, devendo as IES estimular o desenvolvimento de competências empreendedoras dos estudantes e o apoio à criação e sustentabilidade das empresas.

Esta atuação das IES é tão mais eficaz quando beneficia da:

  • forte implicação da gestão de topo na promoção de uma cultura empreendedora, com envolvimento nas diversas atividades e disponibilização de recursos, quer humanos, quer financeiros e materiais;
  • intensificação das atividades académicas e científicas, através da oferta de unidades curriculares e/ou cursos de empreendedorismo e metodologias pedagógicas que promovam o desenvolvimento de competências como a criatividade, resolução de problemas, pensamento critico, entre outras, e concursos de ideias e planos de negócio que fomentem a criação de empresas;
  • aposta no desenvolvimento de projetos e trabalhos de investigação, com forte envolvimento dos docentes e estudantes, relacionados com a temática do empreendedorismo;
  • existência de uma estrutura profissionalizada de apoio aos empreendedores, nas diferentes fases do ciclo empreendedor;
  • envolvimento dos Alumni numa rede de mentores para empreendedores;
  • inserção num ecossistema empreendedor que possibilite o acesso e desenvolvimento de recursos, desde formação, incubação, financiamento, laboratórios, capital humano, consultoria, todos eles imprescindíveis.

O projeto Polientrepreneurship Innovation Network (PIN), desenvolvido pelos Institutos Politécnicos, permite desenvolver as competências empreendedoras dos estudantes, ao mesmo tempo que potencia a criação de novas empresas, baseadas no conhecimento. Os dados das empresas criadas até agora revelam uma taxa de sobrevivência de 77%, valor bem mais elevado que a média nacional e europeia, fruto do acompanhamento contínuo fornecido por equipas especializadas em cada um dos politécnicos.

 

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