Leia aqui mais um artigo sobre a promoção do empreendedorismo nas instituições de ensino superior politécnicas publicado no jornal Vida Económica, assinado por José Jacinto Bilau, Professor Coordenador do Instituto Politécnico de Beja.

José Jacinto Bilau
José Jacinto Bilau, Professor Coordenador do Instituto Politécnico de Beja

 

 O Projeto Polientrepreneurship Innovation Network (PIN), desenvolvido por 13 Institutos Politécnicos tem como objectivo fomentar a criação de empresas inovadoras, num processo que envolverá quase 1.500 estudantes por todo o país.

A criação destas empresas que baseiam a sua actividade na aplicação de novas descobertas científicas ou tecnológicas para criarem novos produtos, processos ou serviços necessitam de importantes recursos financeiros ao longo da fase inicial, sob pena de verem comprometido o seu desenvolvimento.

Apesar da reconhecida importância destas empresas para a promoção do crescimento económico e do emprego qualificado não é fácil acederem ao financiamento de que necessitam devido, em grande medida, a quatro tipos de problemas:

  1. a assimetria de informação;
  2. a incerteza;
  3. ausência de garantias significativas;
  4. complexidade do ciclo da inovação.

Os empreendedores podem fornecer algum do capital requerido, e os amigos e a família podem ajudar com investimentos modestos. Os subsídios governamentais também podem apoiar com algum do capital necessário. Porém, a maioria destas empresas precisa recorrer a financiamento externo ao longo da fase inicial.

O valor limitado para garantia dos seus activos nesta fase, em conjunto com a selecção adversa, risco moral e a própria natureza do contrato de empréstimo, desaconselham o recurso ao crédito bancário. O financiamento colaborativo (crowdfunding) na modalidade de capital pode tornar-se futuramente uma importante fonte de financiamento para a fase inicial das empresas inovadoras. Por enquanto está disponível apenas em alguns países. Em Portugal, aguarda-se a finalização do quadro jurídico que enquadre o funcionamento das plataformas de financiamento colaborativo de capital.

Os diversos operadores de capital de risco (capital de risco formal, investidores individuais de capital de risco e capital de risco empresarial), cada um de sua forma, recorrem a várias soluções para mitigar os problemas gerados pela assimetria de informação e incerteza existentes na fase inicial das empresas inovadoras. Esta possibilidade faz do capital de risco a alternativa de financiamento externo que melhor serve as necessidades para este tipo de iniciativas empresariais.

Embora algumas destas empresas possam recorrer ao capital de risco formal nas etapas do “desenvolvimento da ideia” e do “arranque”, é especialmente a partir do “crescimento inicial” que existe maior disponibilidade destes investidores para realizar investimentos. Nas primeiras etapas da fase inicial é mais provável a empresa inovadora ser bem-sucedida junto dos investidores informais de capital de risco (business angels) ou do capital de risco empresarial.

Em Portugal, o capital de risco formal dá sinais de recuperação depois da queda de actividade ocorrida durante a recente crise financeira. Os dados da CMVM de 2016 referem 1.700 operações de investimento (+4,5% face ao ano anterior), sendo 19,5% do montante do investimento em empresas a estabelecer ou já estabelecidas, de pequena dimensão, mas com potencial de crescimento.

O corporate venture tem reduzida actividade em Portugal, distante da expressão que tem em outros países da Europa e EUA. Os investidores informais de capital de risco registam actividade crescente em Portugal nos últimos anos, nomeadamente através do estímulo proporcionado pelas linhas de financiamento do Programa Compete para fundos de co-investimento com business angels e são agora alternativa real a ponderar para o financiamento da fase inicial da empresa inovadora.

 

 

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