Leia aqui mais um artigo sobre a promoção do empreendedorismo nas instituições de ensino superior politécnicas publicado no jornal Vida Económica, assinado por Sara Proença, Professora Adjunta na ESAC/ Instituto Politécnico de Coimbra.

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Sara Proença, Professora Adjunta na ESAC/Instituto Politécnico de Coimbra

A educação para o empreendedorismo constitui uma prioridade estratégica em matéria de políticas de ensino e formação na União Europeia, sendo reconhecida como um instrumento capaz de contribuir para estimular a inovação, a produtividade e a competitividade e, por conseguinte, para prevenir o desemprego, condições fundamentais para a promoção de um crescimento económico sustentado.

Numa conjuntura caracterizada por uma forte instabilidade económica e financeira, por elevado desemprego dos jovens e por profundas e rápidas transformações no contexto de uma sociedade baseada no conhecimento e cada vez mais global e competitiva, o desenvolvimento de competências transversais, como a atitude empreendedora, afigura-se fundamental. Trata-se de uma competência chave, na medida em que potencia o desenvolvimento pessoal, a cidadania ativa, a inclusão social, a empregabilidade e o crescimento económico, sendo considerada central para o desenvolvimento de uma cultura empresarial. Mostra-se, assim, crucial a conceção e implementação de práticas de educação para o empreendedorismo. Corroboro, neste domínio, a tese de Drucker, quando defende que qualquer pessoa capaz de tomar decisões poderá aprender a ser um empreendedor e a agir de forma empreendedora. Como refere o mesmo autor, o empreendedorismo é um comportamento e não um traço de personalidade, pelo que, como qualquer disciplina, pode ser aprendido; não requer génios e não acontecerá se ficarmos à espera de inspiração, resulta sim de muito trabalho.

Neste contexto, refira-se um estudo recente da rede Eurydice intitulado “Entrepreneurship Education at School in Europe”, segundo o qual é de capital importância a inclusão nos currículos de resultados de aprendizagem relacionados com a educação para o empreendedorismo, nomeadamente: atitudes empreendedoras, competências empresariais e conhecimento empresarial. Não obstante esta reconhecida importância, dos 38 sistemas educativos analisados no estudo, em 2014/15, apenas 11 apresentavam estratégias específicas de educação para o empreendedorismo, 18 disponham de estratégias mais amplas que incluem outros domínios de intervenção, e 9 não apresentavam estratégias nacionais relevantes neste domínio. Este resultado evidencia as disparidades entre os países europeus no que respeita ao desenvolvimento de políticas de educação para o empreendedorismo, sendo nos países nórdicos que se observa um predomínio de estratégias mais maturadas.

A relevância da educação para o empreendedorismo é igualmente sublinhada em estudos realizados pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), sendo reconhecida como um elemento determinante da atividade empreendedora de um país. Esta condição estrutural analisa, no contexto do estudo, o grau de incorporação de conteúdos sobre empreendedorismo nos diferentes níveis do sistema de ensino, assim como o impacto da educação e formação na atividade empreendedora. No caso Português, os especialistas nacionais consideram que a educação e formação no domínio do empreendedorismo ainda constitui uma condição estrutural limitadora. Destacam a fraca centralidade atribuída ao empreendedorismo e à criação de novas empresas nos níveis de educação iniciais, designadamente no ensino básico e no ensino secundário.

Em síntese, podemos inferir que a importância da educação na promoção de uma atitude empreendedora é hoje amplamente reconhecida, pelo que importa encetar esforços no sentido de conceber e implementar práticas de ensino-aprendizagem capazes de promover uma cultura mais empreendedora no sistema educativo.

Considero que, no contexto nacional, as Instituições de Ensino Superior Politécnico têm assumido um papel determinante na prossecução deste objetivo. Destaca-se, neste domínio, a rede Poliempreende, formada por 20 instituições politécnicas. Há 15 anos que a rede Poliempreende promove o desenvolvimento de competências empreendedoras, através de uma metodologia de ensino diferenciadora e adaptável às especificidades de cada parceiro.  Desta parceria nasceu, em 2015, o projeto PIN – Poli Entrepreneurship Innovation Network, que se posiciona como um projeto estruturante na promoção de competências empreendedoras.

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