Leia aqui mais um artigo sobre a promoção do empreendedorismo nas instituições de ensino superior politécnicas publicado no jornal Vida Económica, assinado por Teresa Paiva, Diretora da Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior do Instituto Politécnico da Guarda

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Teresa Paiva, Diretora da Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior do Instituto Politécnico da Guarda

A sociedade de hoje é claramente diferente da do século XX, em particular no que diz respeito ao papel das mulheres, pois tem evoluído em direção à igualdade de género. No entanto, ainda existe alguma vulnerabilidade no papel das mulheres na economia como evidenciam os maiores índices de desemprego, a maior prevalência de contratos de trabalho de duração limitada, a reduzida ocupação de cargos de chefia e de topo, as menores possibilidades de progressão na carreira, e os níveis salariais inferiores para o género feminino e em que Portugal é um dos países da OCDE em que se sente mais essa diferença salarial.

A promoção do empreendedorismo feminino é aceite como mecanismo de combate à desigualdade, como forma de desenvolvimento de um potencial económico a explorar, e nos últimos anos tem sido utilizado por um grande número de governos e instituições europeias, em particular por via da educação cada vez mais voltada para o empreendedorismo, como fomento do autoemprego e do apoio a soluções inovadoras, através de meios financeiros para além dos formativos, de modo a facilitar a adoção de atitudes.

Em termos mundiais e de acordo com o último relatório da GEM (2016-2017), as taxas de empreendedorismo feminino aumentaram diminuindo o hiato entre empreendedorismo masculino e feminino em 5%. Contudo a exploração do potencial das mulheres enquanto empreendedoras ainda está aquém do desejável, pois sofre de alguns paradoxos interessantes de analisar.

Observa-se que nas economias de maior desenvolvimento, e em particular nas economias de base mais inovadoras e tecnológicas, e por isso com elevados níveis de educação, não só a taxa de empreendedorismo feminino é inferior do que nas economias de menor desenvolvimento, como também, a sua taxa de start-ups é inferior. Ou seja, as mulheres, em economias de menor desenvolvimento têm uma maior tendência em iniciarem o seu próprio negócio.

Em particular em Portugal, esta necessidade de conciliação do trabalho profissional com a família, não querendo, na maioria das situações prescindir de nenhum dos objetivos é notória. Esta pressão social de “super heroínas” pode também conduzir a um direcionamento a tipologias de negócios menos inovadores e/ou complexos, tal como demonstram estudos portugueses recentes, em que evidenciam a participação insuficiente das mulheres, em indústrias de alta e média tecnologia e outros serviços de ciência e tecnologia, apesar do seu elevado nível educacional já conquistado.

Para além das razões de economia e contexto já referidas outras razões podem ter a ver com as escolhas educacionais seguidas no sistema de ensino, e às perspetivas e estereótipos enraizados na sociedade em relação à mulher, à ciência e à inovação; por fim, os obstáculos soft, que resultam da falta de acesso a redes de negócios, modelos a seguir, capacidades empreendedoras e formação empresarial.

A educação e formação em empreendedorismo tem impacto no potencial da criação de negócios. Provavelmente, programas específicos de empreendedorismo e áreas específicas de incubação de negócios para mulheres possam fomentar a confiança necessária para se lançarem com a criação da sua empresa.

O Projeto PIN – Poli Entrepreneurship Innovation Network da rede politécnica, ao se propor como uma plataforma de promoção do empreendedorismo, fá-lo numa perspetiva igualitária entre géneros. Não oferece, à partida uma diferenciação na formação em empreendedorismo, apesar de como está assente no desenvolvimento de “oficinas” permitem a tutoria e o coaching das equipas empreendedoras e a oportunidade de diferenciar a formação oferecida por género, nível etário, ou outra especificidade que seja identificada.

Este projeto é assente numa metodologia de educação e promoção do empreendedorismo reconhecida com o Prémio Europeu de Promoção Empresarial na categoria de Investimento nas Competências Empreendedoras, e tem uma experiência de 14 anos. Nesse sentido, a formação e educação oferecida no projeto permite o desenvolvimento de competências empreendedoras e empresariais.

A taxa de empreendedorismo feminino oriunda deste trabalho da rede politécnica é de cerca de 27%, o que é indicador, não só do número de estudantes do sexo feminino que usufruem do projeto, como da adequação da formação à especificidade do género. Porém temos de ir mais além, não basta superar a taxa nacional do empreendedorismo feminino (cerca de 5%).

 

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