Leia aqui mais um artigo sobre a promoção do empreendedorismo nas instituições de ensino superior politécnicas publicado no jornal Vida Económica, assinado por Maria de Lurdes Calisto, Professora Adjunta da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. 

 

Maria-Lurdes-Calisto_ESHTE
Maria de Lurdes Calisto, Professora Adjunta da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril

Na busca pelo sucesso, ou mesmo pela sobrevivência, muitas empresas procuram fomentar a geração de ideias inovadoras que possam originar novos produtos ou processos.

Efetivamente, a importância da inovação para a competitividade das empresas é hoje largamente aceite. O que não é ainda reconhecido por muitos é que uma das fontes de inovação com maior potencial são os intraempreendedores – empregados dispostos a assumir riscos para levarem os seus projetos inovadores em frente dentro da organização onde trabalham, em vez de o fazerem de forma independente.

Se questionarmos qualquer cidadão na rua sobre os empreendedores que conhece, muitos saberão identificar pelo menos uma ou duas individualidades. Já não será tão provável que consiga identificar um intraempreededor. No entanto, muitos dos produtos e serviços com os quais convivemos no dia-a-dia são resultado do comportamento intraempreendedor. Existem alguns casos globalmente reconhecidos de intraempreendedorismo, como os exemplos pioneiros de Spencer Silver e Art Fry, da 3M, que criaram o Post-it, e Ken Kutaragi, da Sony Computer Entertainment, cujas ideias deram origem à PlayStation. Contudo, a esmagadora maioria continua anónima.

Embora muitas vezes o intraempreendedorismo seja conotado com a ideia de ‘campeão’, isto é o indivíduo que sozinho consegue levar a sua ideia à concretização lutando contra todos os obstáculos organizacionais, também pode ser visto como atitudes e comportamentos ligados à inovação que estão generalizados numa organização. Estas serão as organizações empreendedoras.

Para os gestores que ambicionem tornar as suas organizações em organizações empreendedoras, o foco não deverá estar apenas no ‘quem’ é intraempreendedor mas mais em ‘o que faz’ um intraempreendedor e no ‘como’ promover o intraempreendedorismo de forma alargada. Por um lado, como o intraemprendedorismo surge no contexto organizacional, a sua ocorrência e sucesso dependerá em grande parte desse contexto.

Por outro lado, o perfil dos intraempreendedores é também relevante. Os intraempreendedores possuem motivos e características que podem ser considerados em parte similares aos dos empreendedores independentes. Aliás, o intraemprendedorismo é muitas vezes descrito como um tipo especial de empreendedorismo.

Assim sendo, os esforços de fomento do empreendedorismo no contexto do ensino, como é caso singular do trabalho desenvolvido pela rede de instituições de ensino superior politécnico em Portugal – que entre outras atividades lançou o projeto PIN – Polientrepreneurship Innovation Network, são positivos não só para incrementar o perfil empreendedor das novas gerações em termos da criação de novos negócios mas também em termos da maximização da inovação pelas empresas portuguesas por via do contributo dos empregados.

Atualmente existem já estudos em contexto português que demonstram as vantagens, nomeadamente em termos económico-financeiros da promoção do intraempreendedorismo. As ferramentas para o fazer estão também disponíveis. É verdade que aproveitar o conhecimento e a experiência dos trabalhadores para inovar e estar à frente da concorrência é um dos recursos ainda pouco aproveitado pelas empresas portugueses, mas acreditamos que estão criadas as condições para a mudança.